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Paralisia periódica hipocaliémica felina (Burmese)
Musculoesquelético · Gato
Distúrbio muscular hereditário do gato de raça Burmese (e raças aparentadas) causado por uma perda de função do gene WNK4. Produz episódios recorrentes de fraqueza muscular e paralisia por hipocaliemia (descida do potássio no sangue), com recuperação entre as crises. Não é uma paralisia periódica hipercalcémica e não cursa com alterações do cálcio. O teste deteta o alelo causal e identifica portadores; é complementar, e não substitutivo, do exame clínico e da analítica.
Incidência
Raça aplicável: Burmese e raças aparentadas. A hipocaliemia periódica é uma doença reconhecida da raça, mas não há frequências de portadores publicadas de forma sistemática (dados limitados).
Sinais clínicos
- Episódios recorrentes de fraqueza muscular generalizada (sobretudo pescoço e membros)\n- Marcha rígida, incapacidade de se manter de pé e, em crises graves, paralisia\n- Flexão ventral do pescoço e dificuldade em levantar a cabeça\n- Hipocaliemia marcada durante os episódios (potássio sérico baixo)\n- Creatina quinase normal ou pouco elevada\n- Estado mental e digestão preservados; recuperação entre as crises\n- Os episódios podem ser desencadeados por stress, jejum ou esforço
História
A hipocaliemia periódica felina foi reconhecida em gatos Burmese com episódios de fraqueza e níveis baixos de potássio. Em 2012, Gandolfi e colaboradores identificaram através de estudo de associação do genoma completo uma variante sem sentido em WNK4 como causa do quadro, estabelecendo o primeiro modelo animal natural de hipocaliemia por WNK4. Em 2015, Malik e colaboradores reviram a apresentação clínica e os dados genéticos em Burmese e raças aparentadas. O teste de portadores é utilizado na criação da raça.
Manejo do criador
- Testar os reprodutores Burmese e de raças aparentadas antes do acasalamento\n- Não cruzar dois portadores: 25 % de homozigotos afetados\n- Um portador pode ser cruzado com um gato livre; testar a descendência destinada à criação\n- Excluir da criação os gatos afetados e os portadores conhecidos\n- Em animais portadores, evitar fatores desencadeantes (stress, jejum prolongado) e vigiar o potássio sérico
Notas do especialista
Diagnóstico diferencial com outras causas de fraqueza episódica e hipocaliemia no gato (lesões da cauda equina, perdas digestivas ou renais de potássio, miastenia, tóxicos). A hipocaliemia durante o episódio juntamente com a raça Burmese orientam; a confirmação é molecular. O tratamento das crises inclui suplementos de potássio e gestão do fator desencadeante. Não confundir com formas hipercalcémicas, que não existem no gato.
Referências
1. Gandolfi B et al. 2012, First WNK4-hypokalemia animal model identified by genome-wide association in Burmese cats. PLoS One 7(12):e53173. PMID: 23285264. 2. Malik R et al. 2015, Periodic hypokalaemic polymyopathy in Burmese and closely related cats: a review including the latest genetic data. J Feline Med Surg 17(5):417-26. PMID: 25896241. OMIA:001759-9685.
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